Estudo sobre os impactos das segundas residências
2-06-2009
A região Oeste vai ser tida como exemplo no primeiro estudo efectuado no país sobre os impactos da expansão das segundas residências em Portugal, que vai ser desenvolvido pelo Centro de Estudos do Território, Cultura e Desenvolvimento da Universidade Lusófona e pelo e-Geo (Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional da Universidade Nova de Lisboa).
A apresentação do projecto “Segrex” foi feita na sexta-feira, em Óbidos, durante uma conferência internacional sobre “Segundas residências e desenvolvimento local – desafios para o turismo sustentável na região”, promovida pela Agência de Desenvolvimento da Região Oeste e pela Associação LeaderOeste.
“Escolhemos o Oeste porque é uma região marcada por um crescimento acima da média nacional das segundas residências e porque figura no Plano Estratégico Nacional para o Turismo (PENT) como uma das regiões com potencial crescimento do turismo residencial”, justificou o coordenador do estudo, Zoran Roca.
De acordo com os Censos de 2001, o fenómeno da segunda habitação no Oeste cresceu 45 por cento face a 1991, enquanto a média nacional foi de 40 por cento.
O “Segrex”, que pela primeira vez vai estudar o fenómeno da expansão das segundas residências, pretende ser um contributo “fundamental” para as futuras políticas de ordenamento do território. É que apesar de o PENT apontar as segundas residências como um dos potenciais da região, já o Plano Regional de Ordenamento do Território para o Oeste e Vale do Tejo (PROT-OVT) refere que é necessário abrandar o ritmo de crescimento, tendo em conta os “efeitos negativos” sobre o ordenamento do território. “As segundas residências surgiram quase de forma espontânea e não foram planeadas”, trazendo alterações ao nível do repovoamento e ocupação do espaço, sublinhou Zoran Roca.
Neste sentido, a equipa de investigadores vai iniciar um inquérito junto das autarquias, imobiliárias e agentes turísticos com o intuito identificar os locais onde se regista um maior número de segundas habitações e recolher dados sobre quem são os residentes, quais as suas motivações ao escolherem os locais onde têm casa e qual a regularidade e os motivos da sua permanência, entre outros dados.
“Queremos concluir se as segundas residências são uma bênção ao trazerem emprego a lugares que perderam população e novas dinâmicas culturais ou se são uma ameaça, se descaracterizam a identidade cultural ou social e se podem ser um factor de desintegração social”, adiantou o investigador.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2001 as segundas habitações no Oeste tinham um peso maior no total de alojamentos da região (25 por cento) do que no país (20 por cento).
Dados apurados pela equipa do “Segrex” revelam também que, depois do Algarve, o Oeste é o principal destino de quem quer ter segunda residência.
O projecto é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, estando a sua conclusão prevista para 2011.

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