Controlo químico realizado em Julho confirmou a falência do sistema de tratamento de águas residuais, que não dispõe de tratamento terciário para a remoção eficaz do azoto e do fósforo.

O desempenho insuficiente revelado pela Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) que a Câmara Municipal de Beja instalou, em 1993, na bacia do rio Sado, vai obrigar à sua desactivação.

Este encerramento é justificado pela empresa Águas Públicas do Alentejo fundamentalmente por a ETAR apresentar incumprimentos sistemáticos no que se refere às normas de descarga, muito em particular na remoção de azoto e fósforo. Assim, o esgoto tratado que depois desagua numa albufeira onde é captada água para consumo público não cumpre as normas necessárias.

Quase desde o início da sua entrada em funcionamento, esta ETAR foi alvo de críticas da população, que se queixava dos maus cheiros provenientes do local, e particularmente por causa da dificuldade em aceitar que os débitos de efluentes que produzia depois de tratados eram conduzidos para a albufeira do Roxo, onde é captada a água fornecida às populações de Beja e Aljustrel.

Os habitantes destes concelhos nunca aceitaram bem que a água que consumiam provinha de uma albufeira onde desaguavam esgotos, ainda que tratados. E as análises feitas a estes resíduos tratados confirmam que alguns receios têm mesmo justificação. Do ponto de vista bacteriológico, não há riscos de contaminação das águas da albufeira, mas segundo João Silva Costa, administrador executivo da empresa, do ponto de vista químico a ETAR não dá garantias. O mesmo responsável dá como exemplo o controlo analítico do último mês de Julho, segundo o qual a ETAR confirmou “um desempenho insuficiente no que se refere às remoções de azoto e fósforo”.

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Fonte: Público