A Google está a desenvolver um novo sistema operativo para computadores pessoais (PC) – o Google Chrome OS – numa manobra que, a prazo, poderá mudar radicalmente o actual mercado, onde se estima que mais de 90 por cento dos PC ainda estejam equipados com o sistema Microsoft Windows.

O Google Chrome OS poderá estar disponível em meados de 2010 e será inicialmente instalado apenas em netbooks, os pequenos portáteis de baixo custo que entraram no mercado português há cerca de ano.

“Rapidez, simplicidade e segurança são os aspectos-chave do Google Chrome OS”, indicou a Google. “Estamos a desenhar o sistema operativo para ser rápido e leve, para arrancar e fazer a ligação à Net em poucos segundos”, indicaram Sundar Pichai, vice-presidente do departamento de gestão de produto, e Linus Upson, director de engenharia da Google, num post conjunto publicado no blogue oficial da empresa.

O anúncio de um sistema operativo da Google não é surpreendente. Já há muito que se falava na hipótese de a Google lançar um sistema operativo – e a ideia ganhou força depois de ter sido lançado, em Setembro do ano passado, o browser Chrome (um navegador da Web, como o Internet Explorer), cuja tecnologia, em alguns pontos, se aproximava do funcionamento de um sistema operativo. O browser acabou por ser a rampa de lançamento (e por dar o nome) para o novo sistema operativo – que não será um sistema tradicional.

Ambos os responsáveis adiantaram ainda que “os sistemas operativos nos quais os actuais browsers correm foram pensados numa era em que ainda não existia Internet” e que o OS é “a tentativa da Google de repensar aquilo que os sistemas operativos devem ser”. Os executivos referiam-se ao facto de os actuais sistemas estarem desenhados para que o utilizador use aplicações instaladas no seu próprio computador, onde também guarda os ficheiros que cria.

A Google, contudo, tem vindo a tentar mudar este paradigma da computação pessoal, desenvolvendo tecnologia capaz de acelerar a transição para o chamado “cloud computing” (literalmente, “computação nas nuvens”, sendo que a nuvem, neste caso, é conjunto de servidores ligados à Internet).

Neste paradigma, em vez de ter as aplicações e os ficheiros instalados e guardados nos próprios computadores, os utilizadores usam aplicações na Web para todo o tipo de tarefas (do processamento de texto à edição de imagens) e armazenam os ficheiros nos servidores de empresas (como a Google ou a Amazon) – os ficheiros ficam assim acessíveis a partir de qualquer dispositivo ligado à Internet.

Os detalhes do Chrome OS ainda não são conhecidos, mas o sistema – que assenta em tecnologia Linux e cujo código-fonte será divulgado a partir do final de 2009, podendo ser usado por qualquer pessoa – não vai ser, inicialmente, um concorrente directo do Windows, da Microsoft.

Vocacionado para netbooks, o sistema é construído para que sejam utilizadas aplicações que podem correr a partir da Web, um tipo de serviços que a Google tem vindo a aperfeiçoar, oferecendo ferramentas online para, por exemplo, edição de texto e para a criação de apresentações (como no Powerpoint, da Microsoft) ou de folhas de cálculo (como no Excell). Uma das mais conhecidas destas aplicações é o GMail, a popular ferramenta de e-mail.

A Google não tornou claro se vai sequer ser possível para o utilizador instalar outras aplicações para além do browser ou se todas as tarefas terão mesmo de ser realizadas online.

Fonte: www.publico.pt