Estudo feito em Lisboa aponta os bairros com melhores acessos a serviços
20-06-2011
Campo de Ourique é o bairro de Lisboa que oferece os melhores acessos, a nível pedonal e dos transportes públicos, ao sector dos serviços, isto entre um universo de seis bairros da cidade. Esta foi uma das conclusões a que chegou um estudo realizado pelo Instituto Superior Técnico (IST), o qual também destaca o bairro de São Miguel como o que oferece a melhor acessibilidade por carro. Após quatro anos de investigação, e com financiamento da Fundação de Ciência e Tecnologia (FCT), o estudo foi ontem apresentado durante a palestra “Indicadores de Mobilidade Urbana”, no Centro de Informação Urbana de Lisboa.
Na hora de aceder a serviços tão simples como uma farmácia, padaria, mercearia ou a escola primária mais próxima, o tempo e a distância são dois factores que fazem toda a diferença. A facilidade com que se chega a estes serviços básicos, tendo em conta os dois factores anteriores, estiveram sob enfoque no trabalho de investigação agora apresentado, tendo incidido sobre os bairros de Campo de Ourique, São Miguel, Restelo e Parque das Nações Sul, Norte e Centro.
Segundo Ana Vasconcelos, que participou no estudo, e em declarações à agência Lusa, o objectivo consistia em “definir indicadores de acessibilidade numa escala urbana inferior a dois quilómetros”, medindo-se os custos em termos de tempo, distância e dos impactos ambientais. A investigação teve ainda em conta “o tempo perdido nas passadeiras com semáforo” durante os percursos a pé, “o tempo à procura de estacionamento” nas deslocações de carro individual e o “tempo de espera do transporte público”.
Deste modo, e tendo em conta os seis bairros analisados, chegou-se à constatação de que “Campo de Ourique tem a melhor acessibilidade pedonal e de transportes públicos e o bairro de São Miguel a melhor acessibilidade de carro”.
A título de exemplo, em Campo de Ourique, para se ir a pé até uma farmácia, um cidadão demora em média 4,2 minutos e tem de percorrer uma distância de 320 metros, enquanto de carro demora 11,2 minutos e faz 760 metros. Mas se a preferência recair nos transportes públicos as cifras serão de 11,1 minutos e 540 metros.
Para se chegar a estes dados foi necessário caracterizar detalhadamente as viagens urbanas em diferentes modos (a pé, num carro individual ou nos transportes públicos), o que levou a que se criasse um laboratório móvel com diversos instrumentos de medição, o MoveLab. Compactado numa mochila, o MoveLab contou com dois voluntários que carregaram o equipamento, o que permitiu fazer a georreferenciação e contar os tempos de deslocação e as partículas de dióxido carbono causadas em cada um dos modos de viagem.
Outra das conclusões apresentadas foi que “o impacto ambiental de usar o carro com baixas velocidades e ‘a frio’ representa um aumento significativo na produção de dióxido de carbono no local”.
O estudo feito pelo IST integra-se no projecto InSity – Indicadores de Mobilidade Sustentável, financiado pela FCT, com o objectivo de definir indicadores que permitam a comparação de bairros urbanos em termos de acessibilidade a serviços.
Fonte: Jornal Arquitecturas

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