Microsoft promove abertura de dados públicos
10-02-2011
A Open Government Data Initiative prevê a disponibilização gratuita aos governos do acesso ao código de componentes do software comercializado pela multinacional
A Microsoft anunciou que vai passar a disponibilizar aos Governos o acesso ao código de componentes do seu software de forma gratuita. Este passo, ao qual chama Open Government Data Initiative (OGDI), foi explicado pela necessidade de se promover a importância do “Governo Aberto” em linha com os pressupostos presentes na Agenda Digital da Comissão Europeia.
A iniciativa, que foi já apresentada ao Governo português, baseia-se na tecnologia de cloud computing e permite aos governos e instituições públicas gravarer e armazenarem dados públicos dos cidadãos e de interesse para o País, usando a nuvem da Microsoft através da plataforma Windows Azure. Com recurso à OGDI, passa a ser possível apresentar dados públicos para utilização por empresas que lhes possam acrescentar algum tipo de mais-valias. Sérgio Martinho, responsável pela Segurança e Estratégia de Plataformas da Microsoft Portugal, refere que «esta é uma boa oportunidade, já que existe uma larga quantidade de dados públicos que não são usados hoje em dia», uma realidade que esta iniciativa ajudaria a mudar. Questionado relativamente à privacidade dos dados, o mesmo responsável referiu que «o objectivo é abrir apenas os dados que são públicos sem nunca identificar ninguém».
Esta iniciativa da Microsoft baseia-se em cinco princípios, sendo o primeiro deles o da disponibilidade. Neste caso, pretende-se permitir aos governos «publicarem dados abertos em formato reutilizável». Por seu lado, o princípio da transparência surge associado ao facto de os cidadãos passarem a ter «uma melhor visibilidade dos serviços disponibilizados pelos seus governos». No caso do terceiro princípio – Valor Acrescentado – a Microsoft explica que diz respeito ao facto de empresas independentes de desenvolvimento de software terem a possibilidade de «desenvolverem novas aplicações informáticas» com o intuito de «se criar mais valor económico local». Não discriminação e não exclusividade são os dois últimos princípios nos quais se baseia esta iniciativa.
Francesca di Massimo, responsável europeia da Microsoft pelo programa OGDI, explicou a propósito que «a CE está bastante interessada neste conceito, sendo que os Estados-membros estão obrigados, por lei, a publicar a informação». A gigante norte-americana garante desta forma também a expansão da sua cloud computing sendo que, caso o governo português siga o ritmo de alguns executivos europeus, poderá passar a gravar e armazenar dados públicos dos cidadãos na nuvem controlada pela Microsoft. «Entramos todos num ecossistema», refere Di Massimo. A mesma responsável revelou ainda que Espanha e Holanda são países onde a Microsoft se encontra «a trabalhar mais activamente» no âmbito da Open Government Data Initiative. Francesca di Massimo acredita que «dados estatísticos, informação geográfica ou de transportes» serão os primeiros dados públicos «que os governos podem ter em conta para trabalhar ao nível da OGDI».
Fonte: Revista Semana Informática

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