Um empreendimento turístico com um valor de investimento que ronda os 244 milhões de euros. Eis uma das respostas do concelho alentejano de Ourique para travar a tendência para a desertificação humana que assola a região. Considerando um projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN), o empreendimento “Monte da Rocha” deverá ter a primeira pedra colocada em 2013.

Com o projecto sob a coordenação do arquitecto Francisco Serdoura, o empreendimento ocupará uma uma área de 502 hectares, estando situado na margem norte da albufeira da barragem do Monte da Rocha, em pleno concelho de Ourique.

Ao longo de uma faixa de terreno com 4km de comprimento e 2,5km de largura, será erigido um complexo turístico composto por dois hotéis e um aparthotel de cinco estrelas, um núcleo habitacional antigo e 700 unidades turísticas. A juntar a isto, serão ainda construídos: dois campos de golfe, um heliporto, um centro de congressos, um pavilhão multiusos, zonas desportivas com campo de ténis, piscinas, áreas hípicas, uma clinica de saúde e zonas comerciais e de serviços.

Os terrenos foram comprados em 1991 pela QDA, Empreendimentos Imobiliários e Turísticos S.A., empresa que integra accionistas e administradores da Quinta do Lago, no Algarve. No entanto, só em 2011 foi submetido um Plano de Pormenor, que esteve em discussão pública até 20 de Julho e que deverá ser aprovado pela Câmara Municipal de Ourique ainda este ano. Perante a inexistência de empreendimentos no interior do Alentejo com estas características, e tendo em conta que se situa estrategicamente entre os pólos turísticos de Tróia e do Algarve, o “Monte da Rocha” almeja ser um balão de oxigénio para a região, fixando população, requalificando os trabalhadores e preparando-os para o sector do turismo.

Numa era em que a sustentabilidade ambiental é uma exigência, não foi de admirar que o projecto tenha sido pensado para respeitar o ambiente.

No plano arquitectónico, será dada preferência aos traços típicos e acabamentos com detalhes e materiais do Alentejo. Para manter equilibrado o ambiente, a edificabilidade terá uma taxa de densidade muito baixa.

Previsto está também a criação de uma Plano estratégico para a biodiversidade, em articulação com o complexo turístico, de modo a dar resposta a uma filosofia que se quer “pró-ambiental”. Para reforçar esta intenção será apresentado um plano de combate às alterações climáticas (por via da eficiência energética), uma certificação ambiental (pelo planeamento em estratégias adequadas) e um programa de responsabilidade social e ambiental.

O ambicionado resultado final de todas estas ideias será a internacionalização turística do Alentejo, além da integração da região no circuito internacional do golfe, incluindo o profissional.

João Pedro Lobato

Fonte: revista arquitecturas nº62 Bimestral, Setembro/Outubro 2011