Este ano, o concelho de Mação preparou-se para o combate aos incêndios de forma inovadora. A técnica, designada de faixas de gestão de combustível, consiste na «abertura» de faixas de cerca de 50 metros de cada lado de uma estrada, onde o mato é limpo e as árvores debastadas, de forma a evitar a progressão dos fogos – muitos dos quais são iniciados junto às vias rodoviárias.

Assente na silvicultura preventiva, a técnica foi testada por um grupo de investigadores do projecto internacional DESIRE, tendo sido a que demonstrou ser necessária para travar o mais rapidamente possível o flagelo dos incêndios, explica Celeste Coelho, professora da Universidade de Aveiro que acompanhou o projecto. «Embora as faixas ainda não cubram todo o concelho, este é o primeiro ano em que existam várias, pelo que se espera um efeito positivo na prevenção dos incêndios», adiantou a responsável ao AmbienteOnline.

O projecto, iniciado há cinco anos, testou ainda a técnica do fogo controlado, que foi estudado com profundidade no concelho de Góis. «Concluiu-se que esta técnica tinha poucos efeitos nocivos para o ambiente (solo, água e vegetação) do que um incêndio, e que os actores locais aceitavam o uso desta técnica», esclarece Celeste Coelho. O estudo permitiu já a inserção de ambas as técnicas no manual internacional WOCAT (World Overview of Conservation Approaches and Technologies). «É um resultado bastante bom», sublinha a responsável.

Mas a investigadora salienta ainda outra importante componente, que respeita à participação e discussão com os stakeholders locais das técnicas utilizadas e dos resultados obtidos. «Não se podem implementar medidas destas sem a participação activa dos actores locais. Neste caso, estes mostraram-se muito interessados e participativos. Aliás, vamos fazer mais um worshop de divulgação em Mação, precisamente a pedido dos actores locais», revela.

O projecto Desire, que deverá ficar concluído em Março do próximo ano, reúne 28 institutos de pesquisa, organizações não-governamentais (ONGs) e decisores políticos de todo o mundo, no sentido de procurar soluções sustentáveis para mitigar processos de desertificação em curso. A equipa de investigadores está a trabalhar em 18 locais, desde o sul da Europa, passando pela Austrália, Chile e Estados Unidos da América, abrangendo um vasto leque de problemas, como a erosão do solo pelo vento ou pela água, salinização, secas, inundações ou incêndios.

Fonte: Ambiente Online