É  já em Julho que entra em vigor, em Lisboa, a Zona de Emissão Reduzida (ZER) da Avenida da Liberdade/ Baixa, considerada a área mais crítica de Lisboa em termos de qualidade do ar. Até Janeiro de 2012, os táxis estão isentos desta interdição à circulação, altura em que a questão voltará a ser analisada e será objecto de nova proposta, com vista a alargar à cidade a ZER e a que seja apenas permitida a circulação a todos os veículos que respeitem a norma Euro 1 ou superior.

A norma Euro 1 diz respeito a veículos anteriores a Julho de 1992, com excepção daqueles cujos proprietários tenham entretanto instalado um catalisador. Sem este equipamento, nenhum veículo, com excepção dos transportes públicos, poderá deslocar-se entre a Rua Alexandre Herculano e a Praça do Comércio, nos dias úteis, entre as 8h00 e as 20h00.

Francisco Ferreira, especialista em qualidade do ar da Quercus, sublinha a importância desta medida, embora sublinhe o carácter preliminar da execução. «Estou convencido que esta primeira fase vai significar muito pouco em termos de melhoria de qualidade do ar», adianta o responsável, acrescentando que a expansão das ZER ao resto da capital e uma política de promoção de transportes públicos e desincentivo ao transporte individual vai trazer mais impacto a esta medida.

«Se juntarmos a esta outras medidas decisivas, como a partilha de veículos com faixas dedicadas, nos acessos a Lisboa – uma medida que está em avaliação – e o plano de mobilidade das empresas, para desincentivar o transporte individual, por exemplo, devemos conseguir finalmente garantir o cumprimento da legislação e promover uma melhoria da saúde dos cidadãos que frequentam estas zonas», remata.

Paulo Diegues, chefe de divisão da área de saúde ambiental da Direcção Geral de Saúde, adianta que as partículas e o ozono são os poluentes que mais frequentemente excedem os valores estipulados, cujas implicações podem potenciar doenças respiratórias, irritações na pele ou doenças pulmonares obstrutivas.

Apesar de sublinhar que a poluição não é estática, o responsável sublinha que a entrada em vigor desta ZER é positiva, pelo menos para os cidadãos que frequentam aquela parte da cidade. Acrescenta também que o incentivo à adopção de uma mobilidade sustentável é muito importante para essa melhoria efectiva da qualidade do ar.

«Sabemos que há correspondência, que há afectação da saúde humana. A tendência é de cada vez mais envolver indicadores de ambiente e saúde, interligando-os», remata.

Fonte: Ambiente Online