Em Portugal produzem-se anualmente 450×106 m3/ano de águas residuais, sendo que o objectivo passa por, em 2013, chegar à reutilização de 45×106 m3/ano. De acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), a evolução registada até ao momento faz antever o incumprimento desta meta: «Para termos uma ideia do que está em jogo, quase se atingiriam os objectivos nacionais se fossem reutilizadas todas as águas residuais produzidas no Algarve», adianta o regulador ao Ambiente Online,lembrando que,de qualquer forma, a reutilização de águas residuais tratadas não é obrigatória em Portugal.

De uma forma geral, diz a ERSAR, as entidades gestoras se encontram a operar estações de tratamento de média e grande dimensão possuem instalações de tratamento que já permitem a reutilização de águas residuais tratadas para usos próprios. Existem ainda poucos casos em Portugal de reutilização de águas tratadas para outros fins.

Como exemplos: as ETAR de Armação de Pêra utilizam esta água tratada para regar campos de golfe, Vale Faro aposta na limpeza das ria e a ETAR da Quinta do Lago rega espaços verdes urbanos. As próprias entidades gestoras têm desenvolvido iniciativas de reutilização de águas residuais, como a Águas do Algarve, Águas do Oeste, Sanest e Simtejo.

Para os especialistas, as vantagens desta reutilização são óbvias: António Albuquerque, docente da Universidade da Beira Interior, sublinha que às entidades gestoras interessa reduzir a captação na origem e minimizar o impacte ambiental nos meios receptores. A vatagem para o utilizador, diz, está na redução de custos relativamente à água potável. «O desafio passa por aproximar o cliente final do produtor, é necessário existirem projextos de reutilização para serem concretizados,é preciso ver se há compatibilidade de características entre o produto e o uso que o receptor quer fazer dessa água», defende.

Já Francisco Pinto, antigo docente do Instituto Superior de Agronomia, adianta que para haver uma resposta quantitativa o sector agrícola tem de participar, ao mesmo tempo que têm de ser criadas condições para fazer chegar essa água aos clientes, através de sistemas de adução e distribuição de água para rega. «Isto implica investimentos avultados, já que há um desfasamento geográfico entre os locais de produçao e utilização. Além disto, será necessário ofecer melhores condições de segurança e preço», admite.

Para o especialista, a reutilização de águas necessita de um adequado suporte institucional que permita a concretização dessa prática em moldes técnica, económica e ambientalmente sustentáveis, «o que dada a complexidade do problema implica um enquadramento que transcende os limites do enquadramento legal e regulamentar dessa reutilização».

Estas e outras questões serão levantadas no curso que é promovido pelo grupo About Media e que vai acontecer nos dias 1 e 2 de Fevereiro no Estoril e uma semana depois, no Porto. Helena Marecos do Monte e Francisco Cardoso são os formadores convidados.

Fonte: Ambiente Online