Simplificação tarifária não avança na Grande Lisboa
13-01-2012
O Governo quer apresentar até ao dia 21 de Janeiro o valor das novas tarifas para os transportes públicos, assim como o plano de reestruturação para o setor, assegurou hoje o Secretário de Estado dos Transportes. O anúncio surge depois de se saber que o grupo de trabalho que vai reestruturar os transportes públicos na Grande Lisboa já não vai propor uma simplificação tarifária, pois considera que existe uma “extrema complexidade” na sua implementação. A culpa para esta situação, segundo o vereador da Mobilidade da autarquia de Lisboa, está na “oposição dos operadores privados”, acusando-os ainda de receberem “mais do que deviam” pois fazem um ”serviço muito aquém do contratualizado”.
É já a partir de 1 de Fevereiro que será colocada em marcha a anunciada reestruturação dos transportes públicos em Portugal, afirmou ao Diário Económico o Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro. Contudo, o processo poderá não ser tão pacífico e consensual como pretenderia o Governo PSD/CDS-PP. O grupo de trabalho que tem em mãos a tarefa de reestruturar o setor na Área Metropolitana de Lisboa já veio advertir que, e ao contrário do que tinha dado antes a entender, não irá propor uma simplificação tarifária, tendo-se ficado por uma proposta de aplicação somente para a CP.
Conforme apurou a agência Lusa, o documento final que foi enviado pelo grupo ao Governo refere que chegou a existir uma reflexão “sobre a possibilidade de introdução de alterações” no que toca aos tarifários, mas “face à sua extrema complexidade (…) foi reconhecida a sua inviabilidade”, pelo menos para os tempos mais próximos. A simplificação em causa passaria pela criação do Passe Cidade e do Bilhete Cidade, os quais substituiriam os passes do Metropolitano de Lisboa e da Carris.
Para o vereador da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Nunes da Silva, esta impossibilidade tem os seus culpados, pois “o relatório do grupo de trabalho refere explicitamente que a proposta não pode ser aplicada por oposição dos operadores privados”, afirmou à Transportes em Revista.
Por sua vez, a proposta (esta sim, concreta) que foi feita para a CP prevê a criação de zonas fixas, o que permite a cada utente pagar “de acordo com o número de zonas em que circula”, em vez de pagar conforme a linha, percurso ou distância percorrida.
Supressão de ligações fluviais
Entretanto, e no que se refere aos transportes fluviais entre as margens Norte e Sul do rio Tejo, a ligação Trafaria-Porto Brandão-Lisboa é para acabar, pelo menos esta é a proposta do grupo de trabalho, a que se junta a ideia de as ligações Lisboa-Montijo e Lisboa-Seixal apenas se realizarem nos dias úteis e durante os períodos de ponta. Para as ligações Lisboa-Cacilhas e Lisboa-Barreiro, o documento preconiza que o serviço diário cesse mais cedo, com a supressão de viagens nos fins de semana.
A “urgente fusão entre a Soflusa e a Transtejo” é outra das medidas que a agência Lusa encontrou no documento final entregue ao Governo.
Alterações no Metro e Carris
Se as propostas expressas no documento forem acatadas pelo executivo PSD/CDS-PP, algumas das linhas do metropolitano de Lisboa passarão a ter um limite de velocidade de 45 quilómetros por hora (contra os atuais 60 quilómetros), sendo utilizadas composições com apenas três carruagens nas horas de menor movimento. Pelo caminho ficou a proposta de diminuição do horário de funcionamento, depois da polémica que a mesma gerou.
Para a Carris, o fim de 14 carreiras é uma das medidas que constam no rol de propostas finais, a que se juntam as 19 carreiras que poderão ver o seu percurso encurtado ou alterado.
Com todas estas alterações, para os transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa, o grupo de trabalho estima que seja possível fazer uma poupança que supere, anualmente, os 20 milhões de euros.
Fonte: Jornal Arquitecturas (on line).
*Texto escrito conforme o Novo Acordo Ortográfico.

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