Zonas costeiras em obras de requalificação
29-09-2009
Limpezas de águas, cais renovados, ecovias à beira-mar e centros desportivos integram os quatro Polis Litoral, um investimento de 322,5 milhões que promete uma “lufada de ar fresco” em 523 quilómetros de frente de costa, estuários e lagos.
Com excepção das intervenções de segurança mais urgentes, muitas das próximas grandes transformações do litoral vão decorrer nestes programas, cada um com um prazo de cinco anos e geridos por sociedades financiadas por autarquias, Estado, fundos comunitários e organismos diversos.
Segundo o coordenador da iniciativa, José Pinto Leite, o objectivo é uma “grande renovação” de mais de 70 mil hectares de norte a sul, conciliando diferentes perspectivas das entidades que actuam nestas zonas – das administrações regionais hidrográficas aos portos, do Instituto de Conservação da Natureza a gestores do turismo.
“Também é muito importante que haja participação pública”, diz à Lusa, explicando que, para “dar um sinal às pessoas”, os projectos mais simples como limpezas e recuperação de pequenos edifícios avançam sem esperar por planeamento estratégico e avaliação ambiental.
O primeiro Polis Litoral, da ria Formosa, chegou ao terreno este ano, como provam os recuperados moinho de maré, centro de interpretação ambiental e Chalé João Lúcio (actual sede do programa) na Quinta de Marim.
O plano, de 87,5 milhões de euros, envolve os municípios de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, 105 quilómetros de frente de costa e lagunar.
O reforço das dunas das ilhas barreiras e a alimentação artificial da praia do Farol e de Cabanas Leste são outras acções previstas.
Também o Polis Norte (Esposende, Viana do Castelo e Caminha) inclui a protecção de sistemas dunares, mas tem operações específicas, como a criação de percursos de informação e sensibilização ambiental no Parque Natural Litoral Norte e de infra-estruturas de apoio nas praias. Ao todo, 80 quilómetros vão receber 92 milhões de euros.
O mais caro e complexo Polis Litoral é, contudo, o da ria de Aveiro: 96 milhões vão servir para dar nova cara a 188 quilómetros envolventes do estuário e de costa de 11 municípios.
O responsável sublinha também que, em todos os programas, as ciclovias e ecovias (peões e bicicletas) são “fundamentais”. No Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, por exemplo, nascerá uma ecovia entre Sines e o Burgau. Os acessos por cima das arribas vão ser fechados a autocaravanas, que terão “uma espécie de áreas de serviço” específicas para não prejudicar a erosão costeira.
Fomentar o turismo sem destruir a região e criar centros de mergulho e surf são outros objectivos do plano, que requer 47 milhões, mas só há duas semanas foi promulgado por Cavaco Silva.
Fonte: http://www.publico.pt



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